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quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Resultados das Eleições americanas 2012

          
A eleição presidencial americana de 2012 aconteceu na terça-feira (6 de novembro) e quarta-feira (07 de novembro de 2012) o mandato de Barack Obama foi renovado. Seu principal concorrente foi o ex-governador de Massachusetts, o republicano Mitt Romney. Obama do partido democrata será responsável pelo os Estados Unidos por mais quatro anos, até 2016. Ele vem liderando o país norte-americano desde 2008.
          Obama depois de saber sua vitória disse à multidão em Chicago. “Obrigado por terem acreditado sempre. Nós somos a família americana e vamos estar todos juntos como uma só nação”
O presidente admitiu que de certa forma, esta foi uma eleição mais difícil do que a primeira. Concluindo seu discurso: “Eu ouvi vocês e aprendi com vocês. Vocês me tornaram um presidente melhor. Vou voltar para a Casa Branca mais inspirado e determinado do que nunca. Não somos um estado azul ou estado vermelho. Nós somos os Estados Unidos da América.”


          Obama procurou levar uma mensagem de esperança, dizendo que para os americanos o melhor ainda está por vir. Ele afirmou ser o mesmo homem de antes lembrando da importância da democracia.
Mesmo antes de Romney admitir a derrota, Obama agradeceu pelo Twitter: “Estamos todos juntos. Foi assim que fizemos campanha, e é o que somos. Isso aconteceu por causa de vocês. Muito obrigado.”
As propostas de Obama parecem ser bem agradáveis e gerando a melhoria do país americano, propostas as quais podem refletir conseqüências no mundo inteiro. Os próximos anos dirão se essa foi uma boa escolha.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Eleição dos Estados Unidos


No dia 6 de novembro deste ano, os estadunidenses decidirão se manterão o atual presidente Barack Obama no poder ou se darão lugar ao republicano Mitt Romney. Pode parecer apenas mais uma eleição, como a de qualquer outra nação, mas essa é uma a que se deve dar bastante atenção - querendo ou não, os Estados Unidos ainda são, sim, a maior potência mundial, uma vez que exercem bastante influência no mundo, e é até dito que a eleição presidencial americana é equivalente a uma eleição internacional.


Diferentemente do Brasil, onde as diferenças dos partidos não são tão latentes, os EUA possuem o Partido Democrático e o Republicano, cujas linhas ideológicas são bastante delimitadas. O primeiro é caracterizado pela organização de centro-esquerda, com a proposta de equilibrar o capitalismo com programas sociais. Apoiado pelos sindicatos, defende o direito das minorias, ao aborto e à educação pública. Os republicanos, por sua vez, defendem uma economia mais liberal, o que a princípio soa bom, mas trata-se da "lei da oferta e da procura" em sua forma mais crua. No campo social, o partido defende políticas conservadoras de defesa da família, opõe-se ao casamento entre homossexuais ou o financiamento de abortos com recursos públicos: seu eleitor típico é branco, religioso e favorável ao capitalismo.

Eis a principais características dos candidatos:






 
Para discutirem suas propostas - principalmente sobre os rumos que a economia do país tomará e relações exteriores -, os candidatos se encontrarão em três debates: o primeiro, hoje, dia 3 de outubro, em Denver, no Colorado, com o tema principal política interna; o segundo será em formato de "encontro" e os eleitores irão questionar diretamente os candidatos sobre vários assuntos, de acordo com o site da Comissão de Debates Presidenciais. Será realizado em Hempstead, Nova York, onde ocorreu o debate final entre Obama e o senador republicano do Arizona, John McCain, nas eleições de 2008. Ele ocorrerá no dia 16 de outubro. O terceiro e último debate ocorrerá no dia 22, em Boca Raton na Flórida, e abordará a política externa. Haverá também um único debate entre os candidatos a vice-presidente, que ocorrerá no Kentucky e abordará uma gama de assuntos internos e externos.

Para aqueles que se interessam pelo assunto e julgam ser importante acompanhar o processo da eleição, todos os debates ocorrerão às 22h, horário de Brasília, e serão transmitidos pelo canal Globo News. Para aqueles que não tiverem TV a cabo, pode-se assistir com o áudio original ou traduzido pelo site G1.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Marighella: se foi o homem, ficou a lenda


Carlos Marighella nasceu em Salvador no dia 5 de dezembro de 1911. De origem humilde, ainda adolescente, despertou para as lutas sociais. Aos 18 anos iniciou curso de Engenharia na Escola Politécnica da Bahia e desde já tornou-se militante do Partido Comunista, dedicando sua vida à causa dos trabalhadores, da independência nacional e do socialismo.

Contando diversos anos de prisão, tendo sido baleado, espancado e torturado, chegou a ser considerado o inimigo público número 1 nos anos de chumbo da ditadura brasileira. Em uma ocasião, inclusive, mesmo preso, foi eleito para o Comitê Central. Em 1967, por discordar das linhas que o Partido Comunista tomava e acabar sendo expulso do mesmo, fundou a Ação Libertadora Nacional - ALN, optando pela luta armada. Sua organização sobreviveu mesmo depois de sua morte, em 1969.

Marighella, que além de guerrilheiro, era escritor e poeta, deixou diversos escritos, que correram o mundo - sua primeira prisão, inclusive, se deveu a parte de sua produção intelectual, com versos que ridicularizavam o interventor de Vargas, Juracy Magalhães. 

Pode-se até discordar de seus princípios e a forma com que ele tentava alcançá-los, mas, inegavelmente, os ideais do militante se perpetuarão, o que pode ser observado pelas diversas formas pelas quais sua história está sendo contada; ainda nesse mês, foi lançado um documentário de sua vida - ou "depoimentário", uma vez que conta com mais características emocionais que factuais -, cujo trailer se encontra abaixo:


O grupo de rap Racionais MCs lançou, também esse ano, o videoclipe da canção Mil Faces de um Homem Leal, tipo de tributo ao guerrilheiro que faz parte da trilha sonora do filme:


Com lançamento previsto para outubro, "Marighella: o guerrilheiro que incendiou o mundo" é a biografia resultante de uma pesquisa de 9 anos do jornalista Mário Magalhães, que, essa sim, promete fazer um verdadeiro "raio-x" da vida do militante. Magalhães afirma: “Ninguém precisa necessariamente amar ou odiar Marighella. Mas é impossível ficar indiferente à epopeia que ele viveu. É uma vida espetacular. Você pode concordar ou discordar das opiniões dele, ter simpatia ou não pela trajetória dele, mas é um épico."

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

"Se ser livre é ser vadia, somos todas vadias!"


Poucos brasileiros, ao ouvirem “Marcha das vadias”, entenderão do que se trata. O movimento de caráter internacional iniciou-se em 3 de abril de 2011 em Toronto, no Canadá, e hoje é conhecido pelo mundo inteiro por lutar pelos direitos da mulher, que ainda sofre desigualdades diante dos homens.


As passeatas já ocorreram várias vezes no Brasil e contam sempre com mulheres vestindo roupas provocantes como blusas transparentes, lingerie, short ou simplesmente nada. O maior propósito da marcha é chamar a atenção de todos e deixar claro que as mulheres não pedem para ser estupradas e abusadas fisicamente por causa de suas vestimentas. O nome “marcha das vadias” ironiza, também, o fato dos homens tacharem as mulheres como tais por causa de suas roupas, sua personalidade, ou, ainda, pelo simples fato de ser mulher.

O mundo vem caminhando para a igualdade de gêneros devido a movimentos como este, e é claro, importantes ícones como Angela Merkel (chanceler alemã), Hilary Clinton (secretária de estado norte-americana) e Dilma Rousseff (presidente do Brasil), que estão representando os três primeiros lugares como mulheres mais importantes do mundo, segundo a Forbes.com. É claro que o índice de estupros ainda existe e é muito alto, entretanto, o potencial e a garra feminina ainda podem reverter esse quadro e fazer história não só no Brasil, mas no mundo.



Se você, como nós, mora na cidade de Santos-SP e tem interesse em saber um pouco mais sobre a Marcha das vadias, clique aqui para acessar o página do movimento no Facebook.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Chico Buarque, a voz de um povo



Durante a época da ditadura militar a música popular brasileira destacou-se com grande importância, sendo de forma implícita uma crítica ao governo e um movimento de união contra o regime da época. Foram diversos artistas que lutaram e sofreram pelo bem da nação. Podemos ressaltar alguns nomes conhecidos, como Caetano Veloso, Geraldo Vandré, Gilberto Gil, Ivan Lins, entre outros. Mas nosso grupo resolveu focar em um grande personagem, a quem todo o Brasil deve muito. Mesmo durante seu exílio, permaneceu compondo em contraposição à ditadura. Sempre lutou pelo seu direito e de seus irmãos de nação. 

Referimos-nos ao grande Chico Buarque. Nascido em 1944, na cidade do Rio de Janeiro, se mudou pra São Paulo dois anos depois. Filho do conhecido historiador Sérgio Buarque de Hollanda e da pianista amadora Maria Amélia Cesário Alvim, ingressou na faculdade de arquitetura da USP, mas largou os estudos para se dedicar à música. Em 1964 compôs sua primeira música – Tem mais samba. Em 1966 começaram seus problemas com a censura. Em 1968, em um teatro onde a peça roda-viva – de sua autoria – era exibida, o CCC invadiu e espancou o elenco. Foi também, no mesmo ano, detido pela primeira vez. Em meio a tanta repressão, o cantor exilou-se voluntariamente em Roma em 1969. Prosseguiu lançando composições, e após algum tempo voltou ao Brasil. Foi preso em 1978 ao voltar de Cuba. Em 1984 participou ativamente da campanha "Diretas Já", na qual lutava por eleições diretas e participação ativa dos cidadãos no governo, e sua música “Pelas Tabelas” foi considerada um hino informal da campanha. Em meio a tantos episódios, Chico sofreu muito nas mãos do sistema, assim como inúmeros brasileiros. Muitos não resistiram e faleceram em meio a tamanha desumanidade, mas ainda nos restaram alguns dos heróis que lutaram por justiça e direitos naquela onda de totalitarismo.

Para melhor explicarmos a participação desse símbolo da música brasileira e mostrarmos o quão importante a arte foi em meio àquele pesadelo, seguem alguns trechos de canções de Chico Buarque. Faremos breves comentários sobre alguns significados em meio à música, já que o sentido tinha de ser trazido indiretamente – driblando a censura imposta pelo regime militar.

Cálice – 1978


Pai! Afasta de mim esse cálice

De vinho tinto de sangue

Como é difícil acordar calado

Se na calada da noite eu me dano
Quero lançar um grito desumano
Que é uma maneira de ser escutado
Esse silêncio todo me atordoa
Atordoado eu permaneço atento
Na arquibancada, prá a qualquer momento
Ver emergir o monstro da lagoa.

Na música cálice, a palavra mostra a repressão da época – já que a pronúncia remete a “cale-se”. O sangue expressaria o sofrimento em meio à tortura pela qual o país era tomado. Mostrava, assim como percebe-se no trecho, a angústia em meio à falta da liberdade de expressão e o desespero que não mais se aguentava, prestes a – como ele mesmo diz – “emergir o monstro da lagoa” e agir irracionalmente sem preocupar-se com a reação do governo.

Apesar de você - 1978


Hoje você é quem manda

Falou, tá falado
Não tem discussão, não
A minha gente hoje anda
Falando de lado e olhando pro chão
(...)
Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia
Eu pergunto a você
onde vai se esconder
Da enorme euforia?
(...)
Quando chegar o momento
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros. Juro!


Essa talvez seja a música mais explicita de Chico – mesmo que ainda tenha tido algumas partes censuradas, como um trecho que dizia sobre a queda de um castelo, se referindo indiretamente ao general Castelo Branco. Pegamos apenas alguns trechos, mas para quem se interessar, aqui está a letra completa (infelizmente, achamos apenas a versão “podada” pelos militares). Mostra a crescente revolta popular e a insatisfação em relação àquela vida de mentiras, àquela prisão que sentiam a cada dia.


Meu caro amigo – 1976


Meu caro amigo me perdoe, por favor

Se eu não lhe faço uma visita
Mas como agora apareceu um portador
Mando notícias nessa fita


Aqui na terra tão jogando futebol

Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll
Uns dias chove, noutros dias bate o sol

Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta



A música “Meu caro amigo” se trata de uma carta a um amigo que fora exilado. Em meio a tantas pessoas sendo expulsas de seu país, tenta mostrar que embora tudo pareça normal e pacífico continua a piorar – só que nada é mostrado, tudo é oculto pela mídia: “mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta”.


Vai passar – 1984


Vai passar nessa avenida um samba popular

(...)
E um dia afinal
Tinham direito a uma alegria fugaz
Uma ofegante epidemia
Que se chamava carnaval
(...)
Meu Deus, vem olhar, vem ver de perto uma cidade a cantar
A evolução da liberdade até o dia clarear

A confiança de um amanhã melhor é o tema principal. A ditadura perdia poder em meio ao movimento popular – em cujos comícios eram reunidas quase um milhão de pessoas – com a força de políticos da oposição. O carnaval expressa a liberdade e a alegria de um povo que se libertava da opressão. É uma música alegre, já anunciando o breve fim do sistema que por décadas massacrou sonhos, torturou vidas e enterrou a liberdade. Era o começo de um novo Brasil!

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Maluco -CENSURA- Beleza



Ontem, dia 21 de agosto de 2012, completou 23 anos que o Brasil perdeu um de seus maiores compositores e primogênitos do rock nacional. Raul Santos Seixas, baiano, teve como influência musical o blues e o rockabilly de Elvis Presley. Vocês devem estar se perguntando o que isso tem a ver com os assuntos discutidos aqui no Esclaricendo; e eu lhes direi.

Raulzito, assim chamado, afiliou-se com Paulo Coelho, escritor, letrista e filósofo esotérico que possuía idéias e fundamentos ligados ao movimentos de vanguarda e hippie; tal aliança foi fundamental para a criação da Sociedade Alternativa, que foi interpretada de forma errônea pelo governo. A Sociedade era baseada nos escritos do ocultista inglês Aleister Crowley, cuja Lei de Thelema era baseada nos preceitos "Faze o que tu queres há de ser tudo da lei" e "Amor é a lei, amor sob vontade".

Uma vez que a Sociedade Alternativa chegou aos ouvidos da Ditadura, Raul passou a ser perseguido, visto que o governo reprimia qualquer atitude considerada subversiva, que influenciasse as pessoas a se voltarem contra o poder. A censura da época era algo que proibia a liberdade de expressão, musical e cultural, portanto os artistas do período usavam e abusavam de figuras de linguagens, metáforas, entre outros, para tentar driblá-la e conseguir fazer com que sua arte mudasse o pensamento das pessoas. O "maluco beleza", juntamente com Paulo Coelho, em 1974, foi mandado aos Estados Unidos por conta do exílio. Muitos outros compositores foram exilados para Europa e para outros locais, como por exemplo Caetano Veloso, Chico Buarque e Gilberto Gil.

Raulzito teve cerca de 18 composições vetadas pela censura, entre elas: Ouro de Tolo, Metrô Linha 743, Aluga-se, Sociedade Alternativa, Cowboy Fora da Lei, Mosca na Sopa e uma das mais famosas: Como Vovó Já Dizia. Abaixo segue a versão original da canção:

Quem não tem colírio, usa óculos escuros (2x)
Quem não tem colírio, usa óculos escuros essa luz tá muito forte tenho medo de cegar
Quem não tem colírio, usa óculos escuros os meus olhos tão manchados com teus raios de luar
Quem não tem colírio, usa óculos escuros eu deixei a vela acesa para a bruxa não voltar
Quem não tem colírio, usa óculos escuros acendi a luz do dia para a noite não chiar

Quem não tem colírio, usa óculos escuros quem não tem papel dá o recado pelo muro
Quem não tem presente se conforma com o futuro

Quem não tem colírio, usa óculos escuros já bebi daquela água quero agora vomitar
Quem não tem colírio, usa óculos escuros uma vez a gente aceita, duas tem que reclamar
Quem não tem colírio, usa óculos escuros a serpente está na terra o programa está no ar
Quem não tem colírio, usa óculos escuros vim de longe de outra terra pra morder teu calcanhar
Quem não tem colírio, usa óculos escuros essa noite eu tive um sonho, eu queria me matar
Quem não tem colírio, usa óculos escuros tudo tá na mesma coisa, cada coisa em seu lugar
Quem não tem colírio, usa óculos escuros com dois galos a galinha não tem tempo de chocar
Quem não tem colírio, usa óculos escuros tanto pé na nossa frente que não sabe como andar

E eis aqui a música com letra censurada:


Por fim, outra composição censurada de Raul, Metrô Linha 743: